Vivências Literárias
O que acontece quando uma história viaja no tempo sem precisar de asas, transporte ou páginas de papel, mas apenas do sopro da voz de quem conta? Em novembro, o nosso encontro com a literatura no Quintal volta às suas origens mais profundas: a força viva da palavra falada, da escuta atenta e do encontro ao redor da narrativa.
Antes de virarem livros guardados nas estantes, as grandes histórias do mundo navegaram pela memória, pelo afeto e pela voz das pessoas. Foram contadas de geração em geração, recriadas, preservadas e nutridas por diferentes comunidades. Neste mês, nossa investigação literária abre espaço para a ancestralidade, com especial carinho pelas narrativas e pela literatura negra e afro-brasileira, nas quais a palavra dita é presença, ensinamento, canto e memória.
06/11 – Uma História sem Livro: O mistério da palavra guardada na memória
Como é escutar uma história quando os olhos não têm imagens gravadas nas páginas para olhar, mas apenas o olhar de quem conta? Na primeira semana de novembro, abrimos nosso módulo sobre oralidade desafiando a forma tradicional de mediação: guardamos os livros na estante para dar passagem à voz nua, ao gesto e ao silêncio.
A Guardiã conduz a narrativa utilizando apenas a entonação, os ritmos da fala, os gestos do corpo e a repetição de refrões e fórmulas narrativas, convidando os pequenos a completarem a história com suas próprias vozes. Sem o suporte físico do papel, a imaginação ganha total liberdade para desenhar internamente cada cenário, personagem e mistério. Ao final, reunidos em roda, lançamos a provocação: Como é possível guardar uma história inteira dentro de nós quando ela não está escrita em lugar nenhum?
O que os pequenos ouvintes vão vivenciar:
- Escuta ativa e foco atencional: Treino da capacidade de concentração visual e auditiva a partir dos estímulos expressivos do narrador.
- Recursos da oralidade e memória afetiva: Compreensão intuitiva de como o ritmo, as rimas, os silêncios e as repetições ajudam a fixar uma história na memória.
- Construção de imagens mentais: Exercício de imaginação livre, criando visualizações internas sem a mediação de ilustrações pré-prontas.
Traga seu pequeno para ouvir com a mente, guardar palavras no peito e responder com a gente: Onde as histórias ficam escondidas antes de virarem livro?
13/11 – Histórias que Recebemos: A Roda das Histórias que Vieram de Casa
De onde vêm os causos, as canções de ninar, as brincadeiras e os bordões que escutamos desde bem pequenos em casa? Na segunda semana de novembro, a nossa pesquisa sobre a palavra falada ultrapassa as fronteiras do Quintal e entra no coração do acervo mais precioso de cada criança: as memórias afetivas de sua própria família.
Propomos um convite aos pequenos e às suas famílias: investigar em casa uma história curiosa, uma cantiga antiga, um acontecimento engraçado ou uma expressão marcante repassada por mães, pais, avós ou tios. No Quintal, reunimos todas essas heranças em nossa Roda das Histórias que Vieram de Casa. Cada criança é convidada a compartilhar seu relato do seu próprio jeito — com fala, gestos, cantos ou memórias trazidas no peito —, descobrindo com orgulho que a história da sua família também é literatura viva.
O que os pequenos contadores vão vivenciar:
- Fortalecimento da identidade e memória afetiva: Conexão sensível com as raízes culturais, o repertório familiar e os laços intergeracionais.
- Expressão oral e pertencimento: Exercício de fala pública em ambiente acolhedor, valorizando a voz e a bagagem única de cada criança.
- Escuta empática e diversidade: Contato com diferentes vivências, sotaques, sementes narrativas e tradições trazidas pelos colegas.
Traga seu pequeno para recontar as memórias da sua família, dar voz ao seu acervo afetivo e responder com a gente: Que história bonita a sua casa mandou para contar no nosso Quintal?
27/11 – Uma História que Passa de Boca em Boca: A transformação da narrativa viva
O que acontece com uma frase ou um acontecimento quando viaja de voz em voz, de mente em mente? Na quarta semana de novembro, para encerrar com chave de ouro nosso módulo sobre oralidade, ancestralidade e palavra contada, transformamos o Quintal em um grande tear de narrativas inventadas ao vivo pelo grupo.
A vivência começa com um pequeno ponto de partida soprado pela Guardiã: o início de uma história misteriosa. A partir daí, a palavra gira em roda. Cada criança acrescenta um novo detalhe, uma virada surpreendente, um obstáculo ou um personagem inesperado — enquanto para as crianças menores, a condução ganha leveza com perguntas e escolhas simples (“E a porta do castelo era feita de madeira ou de vento?”). No fim da roda, recontamos do começo ao fim a obra criada por tantas mentes juntas e fazemos a grande descoberta: a história que terminou é igual àquela que começou?
O que os pequenos inventores de histórias vão vivenciar:
- Autoria coletiva e escuta atenta: Aprendizado prático de construir com base no que o colega acabou de dizer, mantendo o fio condutor da narrativa.
- Compreensão da mutabilidade da tradição oral: Percepção intuitiva de como os mitos, contos e lendas se transformam e ganham novos contornos à medida que são recontados ao longo do tempo.
- Flexibilidade cognitiva e imaginação combinatória: Exercício contínuo de adaptação, associação rápida de ideias e criação conjunta.
Traga seu pequeno para soltar a voz, trançar novas ideias na nossa roda e responder com a gente: Até onde a nossa imaginação consegue ir quando inventamos uma história juntos?
Serviço:
Nome da atividade/ação: Vivências Literárias
A vivência acontece nas sextas-feiras as 10h30 e 16h20 (1h de duração)
Idade recomendada: 3 a 10 anos
Valor: Diária R$ 115,00 | Hora avulsa: R$ 45,00
