Força, memória e transformação
Nesta segunda semana, as crianças serão convidadas a investigar como a força se manifesta nos sons que produzimos, nas histórias que atravessam gerações, na transformação dos materiais, no movimento do vento e nas estratégias que utilizamos para transportar objetos.
Por meio de experiências sensoriais, artísticas, científicas e corporais, vamos explorar como nossas ações provocam mudanças no mundo ao nosso redor, reconhecendo também a importância da memória, dos saberes familiares e das descobertas compartilhadas.
SEGUNDA-FEIRA — MÚSICA
O Corpo é Instrumento — A força do som
Antes de explorar os instrumentos musicais convencionais, as crianças serão convidadas a descobrir os sons que podem produzir com o próprio corpo. Palmas, pés, estalos, mãos sobre as pernas e o peito, voz e respiração se transformarão em recursos para criar ritmos e pequenas composições coletivas.
Durante a vivência, o grupo experimentará diferentes intensidades e velocidades, alternando sons fortes e fracos, movimentos rápidos e lentos, além de momentos de silêncio. A proposta permitirá perceber como os gestos, a intensidade e o ritmo transformam a experiência sonora.
Pergunta investigativa: Quantos sons conseguimos produzir apenas com nosso corpo?
Intencionalidade: Explorar as possibilidades sonoras do corpo, desenvolvendo a percepção auditiva, o ritmo, a coordenação motora e a expressão musical, além de estimular a escuta e a criação coletiva.
TERÇA-FEIRA — LITERATURA
Histórias que Recebemos — A força da memória
As crianças serão convidadas a investigar as histórias que circulam em suas famílias e comunidades: uma cantiga, uma brincadeira, uma expressão, uma lembrança ou um pequeno acontecimento transmitido por alguém querido.
A partir dessas memórias, construiremos no Quintal a Roda das Histórias que Vieram de Casa, um espaço de partilha em que cada criança poderá apresentar aquilo que recebeu, ouviu ou aprendeu com outras pessoas.
A proposta valoriza as narrativas cotidianas como parte da construção da identidade e da memória coletiva, aproximando literatura, oralidade, vínculos familiares e ancestralidade.
Pergunta investigativa: Como uma história chega até nós e continua viva mesmo quando passa de uma pessoa para outra?
Intencionalidade: Valorizar a oralidade e os saberes transmitidos entre gerações, fortalecendo os vínculos entre família e comunidade e reconhecendo as crianças como guardiãs e narradoras de suas próprias histórias.
QUARTA-FEIRA — ARTES E MANUALIDADES
Amassar, Torcer e Transformar — A força que modifica a matéria
Argila, papel, papelão fino, tecidos, fios e fibras naturais serão os materiais de uma investigação sobre as transformações provocadas pelas mãos.
As crianças poderão amassar, enrolar, torcer, dobrar, rasgar e recompor os materiais, observando como cada um reage aos diferentes gestos. Alguns poderão se dobrar com facilidade; outros oferecerão maior resistência, esticarão, se romperão ou conservarão as marcas dos movimentos.
Ao longo da experimentação, o grupo será incentivado a comparar os materiais e perceber que cada um apresenta características próprias, oferecendo diferentes possibilidades de criação.
Pergunta investigativa: Cada material oferece a mesma resistência quando tentamos transformá-lo?
Intencionalidade: Investigar as propriedades dos materiais e suas possibilidades de transformação, desenvolvendo a coordenação motora fina, a percepção tátil, a criatividade e a capacidade de observar, comparar e formular hipóteses.
QUINTA-FEIRA — CIÊNCIAS BOTÂNICAS
Observatório do Vento — A força que movimenta o invisível
Como perceber o vento e descobrir seus movimentos? Nesta vivência, as crianças construirão fitas de vento, birutas, cataventos e pequenos marcadores de direção para observar a presença e o comportamento do ar no ambiente.
Depois de confeccionados, os objetos serão distribuídos por diferentes pontos do Quintal. O grupo poderá acompanhar seus movimentos, comparar as respostas dos objetos e observar em quais locais o vento parece atuar com maior intensidade.
A investigação também poderá considerar a influência de obstáculos, árvores e construções na circulação do ar, estimulando as crianças a observar o ambiente com atenção e curiosidade.
Perguntas investigativas:
- O vento está sempre na mesma direção?
- O que se movimenta primeiro quando o vento começa a soprar?
- Existem lugares no Quintal em que o vento parece mais forte ou mais fraco?
Intencionalidade: Investigar a ação do vento por meio de indicadores visuais, estimulando a observação de fenômenos naturais, a comparação de resultados e a construção de hipóteses sobre a direção e a intensidade do ar em movimento.
SEXTA-FEIRA — CORPO EM MOVIMENTO
Peso e Transporte — A força das estratégias
Pequenos troncos, pedras, baldes com areia, caixas e outros elementos naturais serão utilizados em desafios de transporte e deslocamento.
As crianças poderão experimentar diferentes maneiras de mover os objetos, individualmente ou em colaboração com os colegas, investigando como o tamanho, o peso, o formato e a maneira de segurar ou apoiar cada elemento influenciam o esforço necessário.
O desafio não será levantar o maior peso ou chegar primeiro, mas descobrir estratégias mais adequadas para transportar cada objeto. Poderão surgir soluções como arrastar, rolar, carregar em duplas, utilizar recipientes ou reorganizar o percurso.
Perguntas investigativas:
- Como podemos transportar um objeto sem fazer tanto esforço?
- O que muda quando carregamos um objeto sozinhos ou em parceria?
- Que estratégias podemos inventar para deslocar objetos de diferentes tamanhos e pesos?
Intencionalidade: Explorar a relação entre força, peso, equilíbrio e movimento, desenvolvendo a consciência corporal, a resolução de problemas, a cooperação e a capacidade de criar estratégias diante de desafios concretos.
Fio condutor da semana
Ao longo desta semana, a força será percebida tanto em suas manifestações físicas quanto em sua dimensão simbólica e cultural. Ela estará presente nos sons produzidos pelo corpo, nas histórias que atravessam gerações, nas mãos que transformam materiais, no vento que movimenta o ambiente e nas estratégias que encontramos para deslocar objetos.
As vivências convidam as crianças a reconhecer que transformar não significa apenas exercer mais força: também envolve observar, escutar, experimentar, recordar, cooperar e descobrir novas maneiras de agir sobre o mundo.
