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SEMANA 3 — 13 a 16/10

COISAS QUE NÃO DEVERIAM SER POSSÍVEIS

Nesta semana, as crianças serão convidadas a investigar aquilo que parece estranho, impossível ou inesperado. A partir de sons escondidos, mudanças de tamanho, criações coletivas, plantas surpreendentes e desafios de equilíbrio, vamos experimentar diferentes maneiras de perceber, imaginar e transformar o mundo.

SEGUNDA — MÚSICA

Laboratório de Ruídos — Quantos sons cabem em um objeto?

Proposta:
Transformar objetos cotidianos em instrumentos de investigação sonora, descobrindo quantas possibilidades podem existir dentro de um mesmo objeto.

Materiais para exploração:

  • papel;

  • papelão;

  • potes;

  • colheres;

  • sementes;

  • pedras;

  • folhas secas;

  • madeira;

  • tecidos;

  • água.

A pergunta que conduz a investigação será:

“Quantos sons diferentes conseguimos tirar daqui?”

As crianças poderão experimentar bater, raspar, amassar, chacoalhar, friccionar, tocar e combinar os materiais, percebendo que um mesmo objeto pode produzir sons muito diferentes.

Em um segundo momento, os sons serão registrados para que possam ser reconhecidos posteriormente sem que as crianças vejam o objeto que os produziu.

Experiência central:
Descobrir que os objetos possuem muitas possibilidades sonoras e que escutar também envolve imaginar, comparar e reconhecer.


TERÇA — LITERATURA

Beba-me! Coma-me! — Alice cresce e diminui

Proposta:
A partir das transformações de Alice em Alice no País das Maravilhas, investigar tamanho, escala e ponto de vista.

Depois da leitura, provocar novas maneiras de imaginar o Quintal:

“Como seria o Quintal se tivéssemos o tamanho de uma formiga?”
“O que conseguiríamos enxergar?”
“E se fôssemos maiores que uma árvore?”
“O que seria pequeno para nós e enorme para outra criatura?”

As crianças criarão desenhos e narrativas alterando propositalmente as escalas, podendo imaginar animais gigantes, objetos minúsculos, árvores que cabem na palma da mão ou pessoas maiores que o Quintal.

Experiência central:
Perceber que mudar o tamanho também transforma a maneira como vemos, habitamos e contamos uma história sobre o mundo.


QUARTA — ARTES / MANUALIDADES

Cadavre Exquis — Uma obra que ninguém controla sozinho

Proposta:
Criar uma obra coletiva inspirada na experiência surrealista do Cadavre Exquis, permitindo que cada participante contribua sem conhecer completamente o que foi produzido anteriormente.

Uma criança inicia um desenho e, depois, dobra o papel, deixando apenas algumas pistas para a próxima pessoa.

Sequência possível:

  • cabeça;

  • tronco;

  • pernas;

  • pés.

Ao final, o papel será aberto para revelar a criatura criada coletivamente.

Também será possível realizar um Cadavre Exquis de palavras, no qual cada criança acrescenta uma palavra ou parte de uma frase sem conhecer todo o texto produzido anteriormente.

A proposta possibilita investigar:

  • acaso;

  • autoria coletiva;

  • surpresa;

  • imaginação;

  • capacidade de acolher o inesperado.

Experiência central:
Descobrir o que acontece quando abrimos mão de controlar completamente uma criação e confiamos nas contribuições do outro.


QUINTA — CIÊNCIAS BOTÂNICAS

Formas Gigantes e Disfarçadas — Quando uma planta parece outra coisa

Proposta:
Investigar plantas que apresentam formas, tamanhos e características surpreendentes.

Plantas e formas para observar:

  • Lithops, conhecidas como “plantas-pedra”;

  • Rafflesia;

  • folhas gigantes;

  • diferentes formas e estruturas vegetais.

Organizar uma mesa de investigação com:

  • pedras;

  • folhas;

  • sementes;

  • cascas;

  • fotografias;

  • lupas.

As crianças serão convidadas a observar, comparar e levantar hipóteses sobre as características das plantas.

Criação — Minha Planta Impossível

Cada criança criará uma planta imaginária, mas com uma regra:

Toda característica inventada deverá possuir uma função.

Perguntas disparadoras:

“Se ela parece uma pedra, o que ganha com isso?”
“Se possui folhas gigantes, para que servem?”
“Se muda de cor, em que isso pode ajudá-la?”
“Se tem uma forma estranha, qual seria a vantagem?”

Experiência central:
Perceber que formas aparentemente estranhas na natureza podem estar relacionadas à sobrevivência e às relações das plantas com o ambiente.


SEXTA — CORPO EM MOVIMENTO

Equilibrismo — A arte de quase cair

Proposta:
Investigar o equilíbrio como um jogo de ajustes constantes entre corpo, espaço, velocidade e apoio.

Construir percursos utilizando elementos do Quintal:

  • cordas no chão;

  • linhas;

  • troncos baixos;

  • tábuas largas;

  • bancos;

  • estruturas existentes no espaço.

Desafios

As crianças poderão experimentar diferentes maneiras de atravessar o percurso:

  • andar de frente;

  • andar de lado;

  • caminhar lentamente;

  • carregar objetos;

  • parar no meio do percurso;

  • retomar o movimento depois da parada.

A proposta não será simplesmente “não cair”, mas perceber o que o corpo faz quando está quase perdendo o equilíbrio.

Perguntas para acompanhar a experiência:

“O que seu corpo faz para não cair?”
“O que muda quando você anda mais devagar?”
“É possível ficar parado no meio do caminho?”
“Como podemos ajudar nosso corpo a encontrar o equilíbrio?”

Experiência central:
Perceber o equilíbrio como uma negociação constante do corpo com o espaço, explorando controle, instabilidade, atenção e confiança.


FIO CONDUTOR DA SEMANA

Alice muda de tamanho e descobre que o mundo pode ser visto de diferentes perspectivas.

Ao longo da semana, as crianças também serão convidadas a desconfiar do que parece óbvio:

um objeto pode produzir muitos sons → o mundo muda quando mudamos de tamanho → uma obra pode nascer sem um único autor → uma planta pode parecer uma pedra → quase cair também pode ser uma forma de encontrar equilíbrio.

A pergunta que acompanha a semana é:

“E se aquilo que parece impossível for apenas uma maneira diferente de olhar?”